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A vez da rede móvel

Por on abril 5th, 2010, em Blog

A Internet brasileira continua crescendo a passos largos. Os resultados apresentados pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação – CETIC.br demonstram o avanço do acesso à grande rede, sobretudo por intermédio da banda larga.

Os usuários brasileiros, cada vez mais numerosos, encontram na Internet uma fonte inesgotável de informações e conteúdos, bem como um ambiente de convívio através das redes sociais.

No mundo observamos que os países buscam fortemente desenvolver políticas de massificação da infraestrutura de acesso à rede em alta velocidade. E a expansão do acesso via rede móvel é ponto central na soma de esforços destas políticas. O consenso é de que é preciso estar preparado para atuar com desenvoltura numa nova economia digital que cada vez mais é realidade imediata.

Os Estados Unidos acabam de lançar seu plano nacional de banda larga por meio do qual pretendem que 90% da população estadunidense tenha acesso à banda larga até 2020, data na qual 100 milhões de lares devem ter disponível a banda larga de 100Mbps. Em relação ao espectro de rádio freqüência disponível para aplicações wireless, o FCC (agência reguladora dos EUA) pretende dobrar a banda disponível de 500MHz para 1.000 MHz.

No Reino Unido o projeto “Digital Britain”, revisitado em 2010, ambiciona o mesmo desenvolvimento da banda larga no país, o objetivo é ter 90% de cobertura para a banda larga com no mínimo 2Mbps até 2017 e 100% até 2020. Para tanto a liberação de mais espectro para aplicações 3G é uma das recomendações do projeto.

Segundo relatório do Banco Mundial, amplamente divulgado no ano passado, cada aumento de dez pontos percentuais nas conexões de internet banda larga de um país corresponde a um crescimento adicional de 1,3 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB).

Não por outra razão o governo brasileiro vem promovendo estudos para o lançamento em 2010 de um Plano Nacional de Banda Larga. Em verdade, o PNBL não inaugura as ações do país nesse campo.  Programas como as trocas de metas de universalização dos Postos de Serviço de Telecomunicações (PSTs) por backhauls em todas as sedes municipais brasileiras, bem como a implantação da banda larga em todas as escolas públicas urbanas são exemplos bem sucedidos.

O grande gargalo brasileiro ainda está na capacidade de transmissão das redes, móvel ou fixa, de suporte à internet e não na tecnologia. Segundo dados divulgados em 2009 pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), e referentes a 2007, a capacidade de tráfego de internet por habitante dos backbones dos países desenvolvidos é até 18,7 vezes maior que a do Brasil, na comparação com o Reino Unido que apresenta a melhor média do G7. Por outro lado, se comparado aos BRIC, o Brasil apresenta a melhor média sendo 6,7 vezes maior que a capacidade da Índia, o pior país na comparação.

O relatório do Banco Mundial, citado anteriormente, aponta ainda que a mobilidade do acesso à Internet é uma realidade, sobretudo nos países mais desenvolvidos. Aos emergentes o futuro dessa modalidade de acesso é promissor.

No Brasil, assim como nos demais países em desenvolvimento, grande parte do crescimento da utilização da rede móvel se deve à falta de oferta e/ou cobertura da rede fixa. O preço elevado e a oferta de capacidade de transmissão ainda limitada fazem do acesso à internet via rede móvel uma opção mais atrativa ao segmento pessoal de consumidores, sendo geralmente utilizada pelas empresas de forma complementar. O segmento corporativo é sabidamente um grande consumidor de acesso à internet no Brasil.

 

Mesmo o acesso para assuntos particulares, muitas vezes se dá no ambiente de trabalho ou em pontos de acesso público e/ou coletivo. Portanto, em que pese o fato das conexões à banda larga por meio de terminais móveis, segundo estimativas da Anatel, tender a ultrapassar os acessos via pontos fixos até o final de 2010, o acesso empresarial ainda continua fortemente ancorado em posições fixas, 88% das empresas têm acesso fixo à internet, por outro lado o acesso móvel à internet pelas empresas também é significativo e também promete franca expansão, 31% delas já se valem de algum tipo de acesso móvel à internet, sendo por rádio, SMP ou satélite.

 

Estima-se que menos de 25% dos acessos banda larga à rede móvel sejam corporativos, e essa participação vem caindo. Em 2008 essa participação era de 28%.

De acordo com projeções da Agencia Nacional de Telecomunicações – Anatel explicitadas no Plano Geral de Atualização da Regulamentação de Telecomunicações no Brasil (PGR), a banda larga móvel via Serviço Móvel Pessoal (SMP) deverá atingir até 2018, somente no SMP, 125 milhões de acessos. Elevando a sua participação para quase 50% do total de acessos em operação.

 

Tomando por base a definição de Serviço Móvel Pessoal (SMP) constante do regulamento do serviço, entende-se o SMP como o serviço de telecomunicações móvel terrestre que possibilita a comunicação em âmbito local a partir de terminais móveis para outros terminais ou para acesso a redes de telecomunicações, tais como a internet.

 

Para melhor entender a diferença entre SMP e demais serviços é interessante notar a diferença entre mobilidade e portabilidade do terminal de acesso à banda larga. No caso da mobilidade, o que acontece nos sistemas de SMP, o consumidor pode continuar utilizando o serviço mesmo quando em movimento.

A portabilidade, por sua vez, é característica daquele equipamento que pode ser facilmente transportado e utilizado em diferentes lugares que disponham de cobertura, wireless ou não, porém não oferece a possibilidade de utilização em movimento.

 

Por fim, vale frisar que um atributo não exclui o outro. Os telefones celulares são perfeitos exemplos híbridos, ou seja, ao mesmo tempo móveis e portáteis.

Em algumas tecnologias tais como o WIMAX é possível desenvolver aplicações para provimento de banda larga em diversos modelos, seja ele fixo, portátil ou móvel. No Brasil é mais comum a exploração da tecnologia WIMAX para banda larga portátil e wireless.

Especificamente sobre as comunicações sem fio, mais uma vez a informação se encontra no centro dos debates. Todavia, não mais quanto à sua quantidade, tampouco no que diz respeito ao tipo de conteúdo disponibilizado.

A informação cada vez mais dinâmica e instantânea passa acompanhar o usuário onde quer que vá.  Através da mobilidade a rede torna-se ainda mais acessível.

Segundo números da Anatel o país já conta com mais de 176 milhões de terminais móveis ativos.

Ao encontro dessa percepção pesquisa mais recente do CETIC.br identificou que 78% dos domicílios brasileiros possuem, pelo menos, um telefone celular. Em relação ao uso individual, esse número é de 75%.

Já entre as crianças brasileiras, 65% afirmaram usar o telefone celular. Considerando apenas as que vivem na zona urbana esse numero chega a 69% enquanto na rural é de 49%.

Todavia, esses números são bem diferentes quando o foco é a posse do equipamento. Apenas 14% das crianças possuem o celular.

A facilidade de acesso à Internet pelo telefone celular não é um conceito novo. Alguns aparelhos lançados há anos no mercado já permitiam essa funcionalidade. Contudo, com o surgimento e crescimento vertiginoso das redes de terceira geração de telefonia celular e a consolidação dos smartphones, o acesso móvel à rede passou a representar um instrumento relevante de comunicação, conhecimento e entretenimento.

Como ferramenta de trabalho, o uso dos celulares corporativos é uma realidade de 65% das empresas que possuem computador. Apenas um quarto dessas empresas utiliza os celulares corporativos como instrumento de acesso à internet. Já 45% fazem uso das mensagens nos formatos SMS e MMS enquanto 24% mandam e recebem e-mails pelos terminais móveis.

Considerando o total de empresas que usam a Internet, 10% em 2009 o fizeram por conexão via celular/modem 3G, um aumento de 100% em relação ao ano anterior.

Estima-se que atualmente existam no Brasil mais de 11 milhões de celulares 3G. Os celulares de terceira geração representam 6,5% do total de celulares do Brasil.

A evolução dos sistemas 3G móveis, ou seja, a expansão da capacidade de transporte de dados, o que não significa necessariamente mais banda, contempla aplicações de WiMAX. O conceito de banda se confunde com o conceito de faixa de espectro em aplicações móveis ou capacidade disponível de tráfego, em aplicações fixas. O desafio das aplicações em 4G é o de oferecer mais capacidade de tráfego com a mesma banda, sem, contudo, prescindir do aumento de banda.

Hoje os sistemas 3G mais populares são o UMTS/WCDMA e o CDMA2000, ambos têm evoluções para 4G especificadas. O LTE (da sigla em inglês Long Term Evolution), que parte da evolução do UMTS/WCDMA passando pelo HSDPA, se propõe a oferecer velocidades superiores a 100Mbps para download e promete ser a mais popular no Brasil.

Em consonância com a expansão da banda larga, quando se fala em rede móvel de acesso, a solução passa por mais espectro. E nesse sentido a licitação da Banda H do SMP, prevista para esse ano e a licitação da faixa de 3,5GHz para WiMAX, cuja licitação encontra-se em suspenso, viriam ao encontro da construção dessa solução no Brasil. Sem prejuízo da liberação de mais espectro ainda com vistas a popularizar e expandir ainda mais o uso das redes móveis para acesso à internet em banda larga.

O Brasil estará pronto para dar mais um passo decisivo em direção à modernização com a decisão sobre o PNBL pelo presidente Lula. Esta popularização da banda larga deve pôr o país em condições de consolidar sua posição de destaque no cenário internacional, minimizando ainda mais a desigualdade social e regional. Para atingir este objetivo, no Brasil em especial, a rede móvel deve ser peça-chave nesta política.

Afinal, se a Sociedade da Informação e do Conhecimento é dinâmica a rede de acesso não poderia ser diferente.

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